Mundo, planeta que habito, entorno que percebo, aparentemente tão familiar, bem ou mal amado, quem, ou o que é você? Real ou virtual? Orgânico ou artificial? Fato ou … fake? Se a percepção, antes tão natural e evidente, começa a vacilar, talvez eu, e muitos outros, estejamos numa jornada insuspeitada na qual o que parecia óbvio e certo perde o contorno. Fica desconfortável.
Se o contorno derrete, o que sobra, o que me resta amanhã ou depois, e quiçá ano que vem? Meu contorno, a minha pele, seria o começo e o fim de mim, e todo o resto, mero não-eu?
Percepção sorrateira que se instala; a partir dali, no entanto, eis que o mundo se expande e se diversifica. Diversidade que descubro ser espaçosa, que tudo parece acolher, que espanta e acena com mistérios sobre mistérios, jamais evidentes. Ali, se eu permitir, já não importa o fake ou o fato: posso transcendê-los e oferecer boas-vindas a ambos. Pequenos vislumbres de paz dentro de mim: ter razão, ou ser feliz? A natureza humana, ancorada no pequeno eu que utiliza a razão, ou pensa utilizá-la, estremece, num misto de apreensão e deleite.
Ainda assim, fica a pergunta: como vencer o cotidiano, antes tão estruturado nas pequenas e grandes regras e leis, as mesmas que agora, mais e mais emaranhadas e sendo entregues a uma tecnologia que nem sempre domino, parecem atirar em todas as direções? Seria por cá ou por lá?
Para você, amiga ou amigo que me lê, que em algum momento já sentiu inquietação semelhante ao que descrevo, proponho aqui uma boia de salvação, um SOS destinado a lembrar a todos nós que somos feitos de tecnologia orgânica própria, poderosa porque consciente, nada menos que estelar e portanto cósmica. Pronta para ser descortinada com boa porção de dedicação a práticas de autoconhecimento que tradições milenares já revelavam com precaução, hoje confirmadas pela ciência de ponta em múltiplas áreas.
Lanço, portanto o SOS da hora, que oferece o Suave, o Oculto e o Sutil como ferramentas imprescindíveis a essa busca. Sem pretensão; que cada um se sirva do que lhe faz sentido.
Uma gentil possibilidade de sair de fase com o mundo que criamos, sem saber que o criamos. Eis porque o resultado pode ter sido um pouco caótico, cheio de holografias, de fatos e fakes, de meros e infinitos pontos de vista. Podemos fazer as pazes com tudo e com todos, para juntos voltar a ouvir a canção cósmica que nunca deixou de estar presente. Ela é suave, oculta, sutil, e se faz ouvir, desde que lhe demos ouvidos. Porque, distraídos de nós mesmos, imersos no ruído do mundo, esquecemos de escutá-la.